Predicativo
As orações são como as pessoas. Algumas adoram dar duro. Trabalham tanto que se sobrecarregam. Têm dois predicados – um verbal e outro nominal. O verbal exprime uma ação; o nominal, modo de ser do sujeito no momento da ação.
O modo de ser se chama predicativo. Identificá-lo parece difícil, mas não é. Basta saber que ele esconde o verbo estar. Observe a manha:
Maria entrou nervosa. Maria entrou (e estava) nervosa.
O dia amanhece bonito. O dia amanhece (e está) bonito.
O vento soprava furioso. O vento soprava (e estava) furioso.
O predicativo dos predicados verbo-nominais joga no time dos advérbios. Os professores o chamam de rabo quente porque não para no lugar. O cantinho dele é depois do verbo. Se passar pra frente, não dá outra. A vírgula pede passagem:
Maria entrou nervosa na sala.
Nervosa, Maria entrou na sala.
Maria, nervosa, entrou na sala.
O dia amanhece bonito.
Bonito, o dia amanhece.
O dia, bonito, amanhece.
O verbo soprava furioso.
Furioso, o vento soprava.
O vento, furioso, soprava.
Às vezes, o deslocamento constitui exigência da clareza. É o caso do período:
Encaminho a carta anexa.
Reparou? O enunciado é ambíguo. Parece que anexa é qualidade permanente da carta. Na verdade, o recado é este: encaminho a carta que está anexa. A carta não é anexa. Está anexa. A clareza é a maior qualidade do estilo. A ordem direta compromete-a. Dá duplo sentido à frase. Melhor:
Anexa, encaminho a carta.
A dica de hoje foi extraída do livro Escrever melhor – guia para passar os textos a limpo, cujas autoras são Dad Squarisi e Arlete Salvador.
Grande abraço a todos.
Grupo de Desenvolvimento do Servidor Fazendário (GDFAZ).
