Oração explicativa
A língua é um conjunto de possibilidades. Flexível, a danada detesta monotonia. Oferece vários jeitos de dizer a mesma coisa. Veja:
O aluno estudioso tira boas notas.
O aluno que estuda tira boas notas.
As frases dizem que há alunos e alunos. Não é qualquer um que tira boas notas. Só chega lá quem se debruça sobre os livros. Numa, o termo restritivo é adjetivo (estudioso). Noutra, oração adjetiva (que estuda). O tratamento mantém-se. Nada de vírgula.
Com as explicativas ocorre o mesmo:
O homem, mortal, tem alma imortal.
O homem, que é mortal, tem alma imortal.
Por que entre vírgulas? Porque todos os homens são mortais, ou seja, o adjetivo “mortal” e a oração explicativa “que é mortal” apenas acrescentam uma informação ao termo antecedente “O homem”, sem alterar-lhe o sentido, sem restringi-lo.
É isso, a questão – restritiva ou explicativa – vai além da vírgula. Implica ler e escrever melhor. Em outras palavras: supõe mandar e entender recados com eficácia. Há pouco o vestibular da UnB explorou a capacidade dos candidatos de compreender a diferença entre o essencial e o acessório. Eis o teste:
Os cinco filhos de José que chegaram do Rio estão hospedados em casa de amigos.
A pergunta: quantos filhos tem José?
( ) Cinco. ( ) Mais de cinco.
E agora? Quem responde é a oração. Restritiva ou explicativa? Sem vírgulas é restritiva. Então José tem mais de cinco filhos.
Se fossem só cinco, “que chegaram do Rio” estaria no cercadinho:
Os cinco filhos de José, que chegaram do Rio, estão hospedados em casa de amigos.
Montaigne, há 400 anos, escreveu: “O estilo deve ter três virtudes: clareza, clareza, clareza”. Identificar o termo explicativo e restritivo não constitui só problema de correção. Muitas vezes afeta a clareza.
A dica de hoje foi extraída do livro Escrever melhor – guia para passar os textos a limpo, cujas autoras são Dad Squarisi e Arlete Salvador.
Houve adaptações.
Grande abraço a todos.
Grupo de Desenvolvimento do Servidor Fazendário (GDFAZ).
