Os sinais gráficos – vírgulas, pontos, travessões, parênteses – não caíram do céu nem saltaram do inferno. Foram criados. Vieram ao mundo por necessidade de expressão. Sem os recursos da língua falada, que também fala com o tom da voz, os silêncios, a gesticulação, as caras e bocas, a escrita buscou compensações. A vírgula indica pausa curta. O ponto, parada mais longa. O ponto e vírgula fica em cima do muro. Não é tão breve que se confunda com a vírgula. Nem tão longo que pareça ponto. Equilibra-se no fio da navalha.
Mas o texto é exigente. Não se contenta só com pausas. Precisa dar outros recados. Às vezes diz que o enunciado é pra lá de importante. Abre-lhe as honras o travessão. Outras, considera a informação secundária. Esconde-a entre parênteses. A neutralidade também encontra respostas. Sua melhor representante é a discreta vírgula.
Pra quem sabe ler, ponto é letra, diz o povo sabido. A recíproca é verdadeira. Quem sabe tirar partido das manhas da língua homenageia o leitor. Dá-lhe oportunidade de ir além de orações e períodos burocraticamente corretos. Desvenda-lhe o universo das nuanças. Entre elas, o dos sinais gráficos.
A dica de hoje foi extraída do livro Escrever melhor – guia para passar os textos a limpo, cujas autoras são Dad Squarisi e Arlete Salvador.
Grande abraço a todos.
Grupo de Desenvolvimento do Servidor Fazendário (GDFAZ).
