Dica do Portuga: INGREDIENTES DO BLÁ-BLÁ-BLÁ (3)

Termos genéricos

Abacateiro é mais específico do que árvore frutífera e árvore frutífera é mais específica do que simplesmente árvore. Gato siamês é mais específico do que gato, que é mais específico do que mamífero, que é mais específico do que animal.
O uso de termos específicos deixa o texto mais claro, sofisticado e elegante. A generalização confunde o leitor e deixa-o incerto sobre o que o autor pretendeu dizer.
Pense no adjetivo “bonito”, por exemplo. Ele pode ser aplicado a uma infinidade de coisas e pessoas. Ao dizermos “quadro bonito”, “filme bonito” ou “menino bonito”, não estamos, na prática, dizendo nada. Afinal, o que o autor considera bonito? Menino bonito é um menino de olhos azuis ou castanhos? Filme bonito seria de ação ou romântico? Quem sabe?
Ao se deparar com um texto vago, assim:

Os jovens chegaram num carrão bonito. Usavam calças velhas, camisetas e óculos de sol. Entraram no primeiro restaurante que encontraram pela frente, sem se preocupar com o preço.

Substitua-o por versão mais precisa e concreta:

Os jovens, entre 15 e 18 anos, chegaram numa BMW azul. Usavam blue jeans com remendos nas pernas, camisetas de malha brancas e óculos de sol. Entraram no primeiro restaurante que encontraram pela frente, um italiano especializado em massas de Bologna, sem se preocupar com o preço.

Em resumo: dê nomes aos bois. É mais bonito e mais fácil.

A dica de hoje foi extraída do livro Escrever melhor – guia para passar os textos a limpo, cujas autoras são Dad Squarisi e Arlete Salvador.

Grande abraço a todos.

Grupo de Desenvolvimento do Servidor Fazendário (GDFAZ).