Dica do Portuga: VÍRGULA, A DISCRETA (1)

A vírgula, como a crase, não foi feita para humilhar ninguém. A longa vida do sinalzinho lhe deu sabedoria demais para não se contentar com pegadinhas. Ela nasceu no latim. Na língua dos Césares, queria dizer varinha. Também significava pequeno traço ou linha. Mais tarde virou sinal de pontuação. Indica pausa rápida, menor que o ponto.

Ao longo dos séculos, o emprego do danadinho suscitou celeumas. Alguns afirmam que usá-lo ou esnobá-lo é questão de gosto. A gente o exibe onde tem vontade. Outros dizem que se trata de respiração. Parou pra inspirar o ar? Pronto. Taca-lhe a vírgula. Aí surge um problema. Como os gagos e os asmáticos se viram?

Há também os virgulinos. Eles se opõem à economia. Esbanjam o sinal – seja obrigatório, seja facultativo. É o caso do amanuense Borjalino Ferraz. Dedicado, estudou o assunto anos a fio. Aprendeu. E transformou o conhecimento em poder. O poder, em autoritarismo. O autoritarismo, em obsessão. Não deixava passar uma. Um dia, o chefe reclamou:

– Desse jeito, você acaba com o estoque. O município não tem dinheiro pra comprar vírgulas novas.

O puxão de orelhas entrou por um ouvido e saiu pelo outro. O prefeito não pôde fazer nada. Funcionário estável, Borjalino continuou esnobando o saber em ofícios e memorandos. Apareceu uma brecha? Lá estava a gloriosa senhora com o pé no freio do enunciado.

Quem não goza do privilégio da estabilidade só tem um saída. Precisa desvendar o mistério da temida pausa. Uma vez conhecido, fica a certeza – o leão é manso como o gatinho lá de casa. Afinal, o emprego da vírgula obedece a três regras. Ela separa:

– termos e orações coordenados
– termos e orações explicativos
– termos e orações deslocados

A dica de hoje foi extraída do livro Escrever melhor – guia para passar os textos a limpo, cujas autoras são Dad Squarisi e Arlete Salvador.

Vejamos o que significa AMANUENSE

Grande abraço a todos.
Grupo de Desenvolvimento do Servidor Fazendário (GDFAZ).